Systemic Sphere e ISEG reúnem especialistas em Portugal para discutir o papel do financiamento climático nos PALOP
- 13 de mai.
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Atualizado: 25 de mai.
Conferência organizada pela Systemic Sphere, em parceria com o ISEG, reuniu especialistas para discutir o papel do financiamento climático, da tecnologia portuguesa e dos mercados de carbono no desenvolvimento económico dos países africanos de língua oficial portuguesa.
No dia 13 de Maio, o ISEG acolheu especialistas do Green Climate Fund (GCF), do Global Green Growth Institute (GGGI), da Enabel de Moçambique, do World Research Institute entre outros, na conferência “The Role of Climate Finance to Promote Economic Development in African Countries”. A conferência foi dedicada ao papel do financiamento climático na promoção do desenvolvimento económico em África, com especial destaque para os países africanos de língua oficial portuguesa, nomeadamente Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde.
O programa incluiu uma intervenção de Adriaan Tas, Country Director da Enabel em Moçambique, sobre o contributo do financiamento climático para o desenvolvimento económico moçambicano e de Pedro Matos Soares, da Phair Earth, que abordou o papel da tecnologia portuguesa no apoio aos países africanos de língua oficial portuguesa.


A conferência inclui ainda uma mesa-redonda moderada por Sofia Santos, CEO da Systemic Sphere, com a participação de José Pugas, Managing Director da Finance in Motion no Brasil; Julie Abrams, especialista em climate finance e impact investing; Fenella Aouane, Managing Director & Head of Carbon Finance da GGGI; Kavita Sinha, Special Advisor to the Executive Director do Green Climate Fund; Leslie Labruto, especialista em climate finance da Resolve Fund; e Robyn McGuckin, Executive Director do P4G do World Resources Institute.
O debate centrou-se na evolução do panorama do financiamento climático, destacando a necessidade de inovação para dar resposta aos desafios enfrentados pelos países em desenvolvimento e pelos empreendedores climáticos. Falou-se ainda dos desafios do financiamento da adaptação e mitigação, explorando as dificuldades específicas do financiamento da adaptação em comparação com o da mitigação, salientando a necessidade de abordagens inovadoras e de financiamento misto - o financiamento da adaptação é mais difícil de monetizar, uma vez que, frequentemente, gera benefícios macroeconómicos em vez de fluxos de caixa diretos, tornando-o menos atraente para os investidores comerciais. Ou seja, os benefícios carecem de retornos financeiros claros, exigindo modelos de financiamento misto que combinem capital filantrópico, concessionário e com retorno de mercado para partilhar o risco. Exemplos incluem projetos de resiliência a inundações e soluções baseadas na natureza que geram benefícios sociais, mas que muitas vezes requerem financiamento público ou misto devido à falta de receitas diretas.

Por fim, foram ainda Foram debatidos os desafios relacionados com os mercados de carbono e os benefícios para as comunidades, tendo os participantes concordado que a adicionalidade é um tema complexo e uma questão fundamental para a credibilidade do mercado. Os projetos de carbono devem demonstrar que as reduções de emissões não teriam ocorrido sem o financiamento e os benefícios para as comunidades locais têm impactos concretos.
A conferência trouxe uma reflexão estratégica sobre o potencial do financiamento climático em África num contexto marcado pela crise climática, pela escassez de financiamento público e pela necessidade de mobilizar investimento privado com impacto real. O debate centrou-se na forma como o financiamento climático, quando articulado com tecnologia, pode acelerar uma trajetória de crescimento verde, resiliente e sustentável nos PALOP, deixando claro que o problema já não é falta de dinheiro, uma vez que já foram investidos e estão disponíveis milhares de milhões de euros para financiamento climático. O desafio é estruturá-los.
Para Sofia Santos, CEO da Systemic Sphere “Com uma atitude construtiva, este encontro sublinhou que, para os países do Sul Global, estratégias nacionais de financiamento sustentável alinhadas com o Acordo de Paris são essenciais para captar financiamento internacional e reforçar a resiliência económica, afirmando o financiamento climático como uma verdadeira alavanca de desenvolvimento de longo prazo. E é esta mensagem que gostaria de deixar, que é importante reconhecer os bons exemplos que continuam a existir.”
Ao promover este debate, a Systemic Sphere e o ISEG procuram contribuir para uma agenda de cooperação mais alinhada com os desafios climáticos, económicos e sociais atuais, reforçando a importância de soluções que unam capital, conhecimento, tecnologia e impacto.


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